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DIVINA MAGIA é um espaço
destinado à discussão de um tema que se tornou
muito evidente nos últimos anos, que é o embate
entre religiosos e ateus. O assunto tornou-se muito presente
após a emergência dos atentados terroristas
perpetrados por militantes islâmicos nos Estados Unidos
e Europa (Londres e Madrid).
Paralelamente ao surgimento
dos extremismos vindos do Oriente, passou-se a observar
também que as próprias concepções
religiosas de grande parte da sociedade americana são
igualmente fundamentalistas, ainda que não cheguem
a recorrer a atentados terroristas. A tal ponto que Sam
Harris, filósofo e neurocientista, pergunta em um
de seus livros: “Como podemos ter a esperança
de dialogar racionalmente com o mundo muçulmano,
se nós próprios não somos racionais?”
É o caso por exemplo das pressões sobre diretores
de escolas americanas para adoção do ensino
do criacionismo, ao invés do evolucionismo; a ameaça
de pastores, de propor o corte de verbas dos programas de
combate ao HIV e ao HPV, sob o argumento de que o risco
dessas doenças afastaria o sexo fora do casamento;
a impossibilidade de qualquer dirigente de entidades dependentes
de recursos públicos poder dizer, por exemplo, que
não acredita em Deus, sob pena de sacrificar sua
instituição. Segundo Christopher Hitchens,
paralelo ao Talibã Muçulmano existiria um
Talibã Cristão-americano, dado o vínculo
entre poder e religião nesse país, quase uma
teocracia.
Religião versus Ateísmo
Os diálogos entre um ateu – Assis Utsch* –
e uma luterana – Gudrun Pfeiffer**
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As motivações
ateístas; as perguntas dos ateus; a ideia
de um Universo eterno ao invés de um Deus
eterno; as tradições e as compulsões
como perpetuadoras da religiosidade; a concepção
das primeiras divindades pelo Homo sapiens sapiens;
a estreita relação entre religião
e mitologia; livros santos ou fábulas?
a morte e as angústias como geradoras do
transcendente; a ética fundada na necessidade,
ao invés de amparar-se na divindade; o
dogmatismo inerente às religiões;
os cerceamentos religiosos; as fragilidades teológicas;
as estratégias dos religiosos; a sedução
das religiões; as insuperáveis contradições
dos livros santos; os livros ateístas;
os proselitismos - religioso e ateu; as alegadas
provas de Deus; as ‘provas’ ontológica,
cosmológica e físico-teológica;
as necessidades emocionais por uma divindade. |
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1. Gudrun Pfeiffer: Você sempre foi ateu?
1. Assis Utsch: Certamente não;
todos nós recebemos um Deus desde o colo da
mãe e O conservamos ao longo da infância,
adolescência e idade adulta. Esse Deus se mantém
através da família, da escola, igreja,
comunidade e por toda a sociedade.
2. Então o que o levou
a tornar-se ateu?
2. Muitas razões; primeiro,
comecei a fazer perguntas sobre minha própria
crença. Ao longo dos anos, além de achar
as doutrinas religiosas muito parecidas com as mitologias,
muita coisa me pareceu simplesmente absurda.
3. Que tipo de perguntas você
se fazia?
3. Dezenas, por exemplo: Será
que Deus é um Ente real? não seria Ele
apenas um conceito? não seria Ele uma invenção
de homens primitivos conservada pelo homem moderno
por razões de conveniência? Os livros
santos são a fonte da verdade ou eles são
apenas mitologias, lendas e fábulas milenares?
...
4. Que significam as religiões
para você?
4. As religiões são
apenas superstições mais elaboradas;
todas elas buscaram uma pretensa sofisticação
doutrinária com o intuito de se fazerem respeitadas.
5. Ocorre que nós temos
o mundo, e se tudo precisa de uma causa, quem criou
o Universo?
5. Se você admitir que
o Universo foi criado de um Nada por um Criador, sua
hipótese se choca com a Lei da Conservação
da Matéria – nada se cria, nada se perde,
tudo se transforma. Segundo essa Lei, que é
verificável, e que não foi revogada
por qualquer outra lei da física, o Universo
só pode ser Eterno. E ele teve e terá
toda a eternidade para processar suas transformações,
todas elas imanentes, inerentes a ele mesmo.
6. Mas a ideia de um Universo
Eterno está sujeita a questionamentos talvez
até maiores que a ideia de um Deus Eterno.
6. O Universo está
aí, e ninguém pode negá-lo; já
o Deus é produto da fé.
7. E o Big Bang?
7. Sobre o Big Bang o cosmólogo
brasileiro Mário Novello publicou na França
um livro – Teoria do Universo Eterno. Em outro
livro – O Que é Cosmologia – ele
diz: “por que os cientistas deixaram que os
meios de comunicação de todo o mundo
propagassem uma versão fantástica e
errônea: a de que eles, cientistas, teriam demonstrado
que o Universo teve um momento único de criação
há uns poucos bilhões de anos(?)”.
“...longe de podermos tratar aquele momento
como um “começo”, ali estariam
ocorrendo complexos processos (contínuos) ...”.
8. Então a Teoria do
Big Bang não é uma unanimidade?
8. A ideia do Big Bang nasceu
da observação de que o Universo está
se alargando, expansão que cessaria a partir
da dissipação de sua força primordial.
Ocorre que descobriram depois que ao invés
de conter-se, sua velocidade de expansão está
aumentando. Atribuiu-se então o aumento da
expansão a uma nova força do Universo,
a energia escura. (Existiria também a matéria
escura). Há uma tentativa de provar o Big Bang
através do LHC – o Acelerador de Partículas
de Genebra, um projeto de dez bilhões de dólares.
Com tanto dinheiro envolvido, será difícil
dizer depois que a causa – o bóson de
Higgs – não foi encontrada, ainda que
o projeto envolva muitos outros experimentos científicos.
9. Embora a maioria dos cientistas,
pensadores e filósofos pendam para o ateísmo,
muitos deles são religiosos...
9. Mas estes que são
religiosos não o são porque sua ciência
ou sua sabedoria tenha provado seu Deus. Eles são
crentes graças, mais uma vez, à herança
do Deus vindo da família, da cultura, da doutrinação,
das tradições; eles podem também
ter suas compulsões, suas idiossincrasias,
seu autoengano. Podem simplesmente achar que Deus
é um Ente necessário; achar, graças
a seus condicionamentos interiores, que é impossível
Deus não existir.
10. Mas a ciência prova
que Deus não existe? ...
10. Ora, quando nos tornamos
Homo sapiens sapiens, logo nossos primeiros medos
e angústias nos obrigaram a buscar uma Proteção.
Então começamos a criar as primeiras
divindades, os fetiches, os totens, os xamãs,
ou seus equivalentes, tudo para nos proteger; então,
ao contrário de provar que ele não existe,
prova-se que ele foi criado; Deus é apenas
um conceito.
11. Mas qual é a prova
de que se trata de uma criação mitológica?
11. Se as religiões
pertencem à mesma natureza das mitologias,
a antropologia pode confirmar tal criação.
O estudo comparativo entre religiões e mitologias
documenta a invenção dos deuses; pouco
importa que eles tenham se transformado no Deus Único;
mas existem ainda muitas sociedades politeístas.
12. Mas os livros santos não
são a prova de Deus?
12. Os livros santos de todos
os credos são resultado de milênios de
narrativas; primeiro orais, depois escritas em línguas
primitivas, sem qualquer precisão, textos com
registros precaríssimos, escritos em folhas,
pedras, couros, etc, com todos os percalços,
e sujeitos àquela regra – quem conta
um conto lhe acrescenta um ponto. O conteúdo desses livros só muito remotamente tem correspondência com os fatos.
13. Você acha que não
temos uma alma, um espírito, uma transcendência?
13. Esse é o nosso
sonho, é a nossa grande aspiração.
Todos esses conceitos são produto de nossa
inconformidade com a finitude da vida; a morte é
insuportável. Então inventamos uma transcendência
como forma de aplacar o tormento.
14. A ideia da transcendência
não é vantajosa?
14. O fato de a ideia ser
eventualmente vantajosa não lhe confere a qualidade
de verdadeira.
15. E o sentido da vida, você
não acha que sem uma transcendência nossa
vida fica sem sentido?
15. Que sentido é esse,
construído sobre uma base mística? Muitas
coisas dão sentido a nossa vida, nós
precisamos de causas, projetos, ações;
precisamos de solidariedade, tolerância, conhecimento;
precisamos compreender que quanto mais harmônica
for a convivência humana, melhor será
para todos; compreender também que o fato de
buscarmos os melhores valores não nos isentará
dos conflitos, pois eles são inerentes à
condição humana.
16. Mas nossos valores não
precisam de um Deus para se solidificarem?
16. Primeiro, os valores terrenos
podem ter uma solidez até maior, porque oriundos
da compreensão de que eles são necessários
para a boa convivência humana. Por outro lado,
os valores vindos de um Deus são sempre dogmáticos.
E sem o dogma as crenças se dissipam; é
por isso que todas elas são dogmáticas.
Mas todo dogma – religioso, político,
ou de qualquer natureza – é devastador;
ele mata dezenas de milhões, e sem o sentimento
da culpa.
17. As religiões não
têm nada de positivo?
17. Tudo nas religiões
que coincidir com o humanismo é positivo. Todo
o resto é superstição, mistificação,
rituais, crendices, alienação, dogma,
intolerância, a mesma intolerância que
gerou as Cruzadas, a Inquisição, as
Guerras Papais, a Guerra dos Trinta Anos – entre
católicos e protestantes – os milhares
de conflitos religiosos ao logo de decênios,
séculos e milênios, inclusive em nossos
tempos; gerou o obscurantismo, a desestruturação
dos sistemas de produção, os flagelos
resultantes e outros males; e sacrificou dezenas de
milhões em nome de seu Deus.
18. Você não
acha que elas pregam mais o bem do que o mal?
18. O bem decorrente do Iluminismo
ou do Humanismo é muito maior, porque eles
não precisam de dogmas. Como já disse,
todas as ideologias dogmáticas são devastadoras.
Seus seguidores, ao agirem em nome de um Deus ou de
um dogma, não sentem qualquer culpa pelos horrores
que façam. É verdade que os cristãos
se aquietaram, com exceção das ocorrências
em alguns poucos lugares, mas outras religiões
continuam aterrorizando. Se conseguíssemos
afastar os Deuses no Oriente, a paz na região
teria uma chance.
19. Os valores essenciais
defendidos por ateus e religiosos são os mesmos.
E os religiosos até dizem que eles foram tomados
das religiões e adotados pelos ateus. O que
você diz sobre isso?
19. Se as religiões
fossem construídas apenas de superstições
elas seriam facilmente desmascaradas. Então
elas tiveram que construir ou incorporar um conjunto
de valores. Na verdade, nesse aspecto as religiões e o Iluminismo se influenciaram mutuamente.
20. As religiões –
judaísmo, cristianismo, islamismo, hinduísmo,
budismo, etc – representam a diversidade cultural
do mundo.
20. A diversidade cultural
existiria independente das religiões; além
disso a diversidade decorrente da religião,
conforme já dito, é fonte dos piores
conflitos – milenares e contemporâneos
– como se tem visto em vários lugares.
21. O que mais lhe parece
estranho nas religiões?
21. No caso particular dos
três monoteísmos, o ódio ao sexo,
o ódio às mulheres, aos negociantes,
aos ricos, aos sábios, à liberdade,
e também o culto à pobreza, à
servidão, à resignação,
à penitência, ao sofrimento. Embora as
seitas protestantes e o judaísmo celebrem as
riquezas e repudiem a pobreza, elas entretanto guardam
as demais inconsistências da fé. Além
das estranhezas de seus dogmas e de suas questões
teológicas.
22. Que dogmas, que questões
teológicas?
22. Todas as religiões
são muito estranhas. No cristianismo ou no
catolicismo, tem-se a crença de que teria nascido
um homem-Deus; que Ele teria nascido de uma mulher
virgem, apesar de seus outros filhos; que este homem-Deus
teria sido crucificado sem culpa, só para nos
salvar de uma suposta culpa original; que este homem-Deus
teria ressuscitado; que uma Trindade de Seres distintos
seria ao mesmo tempo um Deus único; a crença
de que seus fetiches são sagrados; mais os
seus rituais, seus tabus, além de uma profusão
de outras superstições conhecidas.
23. Você então
não acredita em Jesus Cristo?
23. Se um homem chamado Jesus
Cristo existiu, ele não teve nenhuma identidade
com o que se diz ou se escreveu a respeito dele. Digo
‘se existiu’ porque vários pensadores
afirmam que Cristo é um personagem inventado
por místicos; ele não é uma figura
da História. Ele seria um personagem criado
por místicos que começaram a dizer que
na Palestina havia nascido um Messias que viria salvar
a humanidade de todos os seus tormentos; aflições
que curiosamente nunca cessaram. Os judeus ortodoxos
aliás ainda continuam esperando seu Messias.
E no entanto o Messias não vem nem vai telefonar.
24. Cristo não aparece
em outros livros antigos?
24. Ele aparece como Profeta
no Corão dos muçulmanos, que é
um livro do sétimo século, e também
no Talmude dos judeus, que é do quarto século.
Ora, quando esses livros surgiram o mito do Messias
ou do Cristo já estava estabelecido ao longo
dos séculos anteriores. Então, é
muito natural que um Cristo apareça nesses
textos.
25. Se as religiões
são tão vulneráveis para você,
o que as levou a se perpetuarem?
25. Já foi observado
que quanto mais inverossímil é uma crença,
maior é a compulsão de seus crentes.
Por outro lado, as religiões criaram muitas
estratégias: achar-se sagrada; achar-se portadora
de toda a verdade; colocar-se num altar e ficar imune
a qualquer pergunta ou questionamento; achar-se digna
de uma reverência superior; etc; além
da sua doutrinação constante.
26. Por que elas são
tão sedutoras?
26. Porque diante da morte,
que é nosso maior tormento, seus líderes
prometem o que mais desejaríamos: que temos
uma alma ou espírito para perpetuar nossa existência;
ou que ressuscitaremos após a morte; que reencontraremos
num céu os entes queridos que perdemos; que
somos contemplados com a bondade infinita de um Deus;
além de muitas outras promessas. Por outro
lado, as religiões são fonte de poder
e de dinheiro para seus líderes, na medida
em que eles controlam milhões de pessoas.
27. Que mais o leva a imaginar
que tudo é uma invenção nossa?
27. Além de criarem
as divindades, depois um Deus, inventaram também
o paraíso, o inferno, demônios, profetas,
anjos, santos; inventaram a revelação,
a salvação, a condenação,
o sagrado, o amaldiçoado, o abençoado,
etc; forjaram o Manto do Sudário, os Milagres,
as Aparições, etc. No caso dos milagres,
observamos que mesmo quando uma pessoa ‘prova’
sua ocorrência, na verdade essa ‘prova’
é apenas o autoengano ou a ilusão da
pessoa. Pois milagre, enquanto acontecimento que contraria
as leis da natureza ou das possibilidades não
ocorre; trata-se de uma palavra criada para algo aparentemente
impossível. Atrás de todo milagre está
o autoengano, ou a coincidência, ou a fraude
ou coisa parecida.
28. Você nunca se impressionou
com as mensagens dos livros santos?
28. Os livros santos têm
muita coisa – ordens para o bem e para o mal
– todo tipo de atrocidades, genocídios,
crueldades, escravidão, perseguição,
intolerância, matança, incesto, etc.
Não existe outra peça escrita ao mesmo
tempo tão volumosa e tão cheia de contradições
quanto à Bíblia, incluindo-se naturalmente
o Novo Testamento, que por sinal incorporou o Velho
como parte integrante da Mensagem Cristã. Semelhantes
contradições podem ser encontradas também
no Corão. E as ordens para o bem não
vêm de um Deus, são todas coisas do homem
29. Então você
leu a Bíblia?
29. Não só a
Bíblia – Velho e Novo Testamento –
como o Corão e longos fragmentos dos Vedas
e do Zendavesta (ou Avesta). E uma boa coleção
de livros ateístas.
30. Quais livros ateístas?
30. Desde os livros de Nietzsche
– Crepúsculo dos Ídolos, Assim
Falou Zaratustra e longos trechos de outras obras
suas; trechos de Feuerbach; o livro de Bertrand Russell
(Por Que Não Sou Cristão); o Carta a
Uma Nação Cristã (Sam Harris);
o Deus Não É Grande (Christopher Hitchens);
o Deus, Um Delírio (Richard Dawkins); o Tratado
de Ateologia (Michel Onfray); Aprender a Viver (Luc
Ferry); O Espírito do Ateísmo (Comte-Sponville)
e outros.
31. As estranhezas que você
encontra nos livros santos não decorreriam
de uma leitura literalista do texto?
31. Os teólogos e pensadores
cristãos criaram a tradição de
reclamar uma leitura simbólica e também
relativista desses livros. Alegam, dentre outras coisas,
que tendo sido escritos naquele contexto, em outros
momentos da civilização, essas obras
sempre precisariam submeter-se ao crivo da hermenêutica
ou da exegese.
32. Eles então têm
razão?
32. Ora, se alguém
ardilosamente extrai uma frase ou um pedaço
dela para afirmar coisas que o contexto da sentença
não diz, trata-se de uma fraude. Mas quando
citamos um versículo que é autoexplicável,
que diz exatamente o que todo o trecho declara, e
lhe damos a mesma interpretação que
ele expressa, então não cabe falar de
erro de interpretação. E não
adianta alegar interpretação fundamentalista,
ou que a exegese ou o simbolismo não foram
observados. Na verdade, essas alegações
visam apenas a escamotear os milhares de absurdos
e contradições desses livros, escritos
a partir de eras muito assustadiças. Horrores
que não foram aplacados nem com a pretensa
linguagem rebuscada que lhe foram imprimindo, quando
sofreram milhões de alterações,
supressões, adições, reinterpretações.
33. Se os ateus sabem que
nenhum argumento da razão convence um crente,
por que insistir?
33. Quem faz proselitismo
de seu Deus, vinte e quatro horas por dia, são
os líderes religiosos e seus colaboradores;
eles nos abordam por toda parte tentando nos vender
seu Deus. Ateu não aborda qualquer pessoa para
convencê-la a abandonar o Transcendente e adotar
apenas o Humanismo. Até porque ser ateu é
trabalhoso, é preciso antes conhecer não
só os muitos argumentos ateístas em
profundidade, como também os próprios
livros santos e até um pouco de teologia. A
dominação por parte das crenças
é tão avassaladora que se o ateu não
tiver um bom suporte, ele pode sucumbir-se às
alegações religiosas.
34. Não precisaríamos
de um Deus para sermos éticos?
34. Será que precisamos
de um Deus para achar que é importante ter
solidariedade pelos outros, ter preocupação
com o sofrimento das pessoas e até dos animais,
ser honesto, ser responsável, reconhecer a
dignidade de cada um? Será que precisamos de
um Deus para achar que é errado matar, furtar,
roubar, violentar, torturar, estuprar, etc? Por outro
lado, segundo pesquisas nas prisões, 100% dos
homicidas acreditam em um Deus.
35. Você disse que ateu
não aborda as pessoas para convencê-las,
mas muitos ateus – Dawkins, Sam Harris, Christopher
Hitchens, Michel Onfray e outros – são
acusados de militantes.
35. Quando um crente de qualquer
credo tenta me converter ao seu Deus, ele não
o faz pelo meu bem; ele quer duas coisas principais:
impor-me suas convicções religiosas
e obter também minha colaboração
pessoal ou financeira. Quando alguém procura
convencer os demais de suas convicções
– religiosas, políticas, ou outras –
o que se tem é o ‘desejo de reconhecimento’
de seus valores; é a ‘luta pelo reconhecimento’,
que é própria dos indivíduos
em qualquer sociedade. Semelhantemente, o ateu está
sujeito também à ‘luta pelo reconhecimento’
de suas convicções, porque isto é
da natureza humana.
36. Muitos teólogos
são verdadeiros doutores...
36. O fato de serem doutos
não os exclui de suas compulsões pelo
Transcendente, de suas idiossincrasias, de seu autoengano
ou de suas ilusões. Repetindo o personagem
daquele livro, ‘ninguém é mais
doutrinado do que o próprio doutrinador’.
37. E as provas de Deus?
37. As provas de Deus não
são provas, são alegações.
Desde as de Santo Anselmo, Tomás de Aquino,
Malebranche, Descartes, Newton, Locke, Clark e outros,
todas foram desmoralizadas. Três principais
– a prova ontológica, a prova cosmológica
e a prova físico-teológica – estão
muito bem resumidas e contestadas por Comte-Sponville
em O Espírito do Ateísmo.
38. O que dizem essas provas?
38. a ontológica –
a prova a priori – nada toma da experiência.
Como diz Comte-Sponville, ela “nada mais é
que a convicção de que Deus existe”;
ela “é objeto de fé, não
de saber”;
a cosmológica – a prova a posteriori
– parte da existência do Mundo. O ser
contingente, o Universo, precisaria de um Ser necessário,
um Deus. À parte o fato de que o ser necessário
é o próprio Universo, o que nos provaria
que este Universo teve um Criador? ou que este criador
seja um Deus, um Espírito, um Sujeito, uma
Pessoa ou as Três (da Trindade)? – pergunta
o autor francês;
a físico-teológica – também
a posteriori – parte da observação
do mundo. “O mundo seria ... belo demais, harmonioso
demais para que possa ser obra do acaso; ... suporia
uma inteligência criadora e ordenadora que só
pode ser Deus”. Entretanto, como explicar “que
os tumores ou os cataclismos decorram de um desenho
inteligente e benevolente?”.
Sobre essa ‘prova’ Richard Dawkins diz
que ao invés de pensarmos em um Projetista,
é muito mais lógico pensarmos que só
estamos aqui porque o arranjo cosmológico aleatoriamente
estabelecido permitiu que moléculas pré-biológicas
se tornassem biológicas.
39. E as vantagens emocionais
ou psicológicas da crença no amparo
de Deus?
39. Se podemos contar com
os profissionais da área – os psicólogos,
os psiquiatras e outros – para nos aliviar os
problemas interiores, por que não recorrermos
a esses, ao invés do recurso às superstições?
40. O apelo que todos fazem
a Deus num momento de horror não é uma
prova da Divindade?
40. Isto prova exatamente
que Deus é produto do medo, das angústias,
de nossas fragilidades. Se você está
condicionado, desde criança, a evocar um Deus
nas horas de aflição, quando adulto
você automaticamente fará o mesmo diante
do perigo. Quando realizamos algo que está
no limite ou acima de nossa capacidade costumamos
também atribuir o feito a Ele. A ideia de Deus
tornou-se um hábito, um vício da imaginação.
41. O que você diz do
alegado livre arbítrio assegurado por Deus?
41. Ora, livre arbítrio
pressupõe liberdade, justo o que esse Deus
menos concede, pois Ele é cheio de proibições.
Ademais, os atributos de Deus – onipotência,
onisciência, onipresença, bondade infinita,
infalibilidade, imutabilidade, infinitude, perfeição,
etc – são incompatíveis com o
livre arbítrio, conforme já me referi
em outro lugar. Mas sem tais atributos, o conceito
de Deus se dissipa por inteiro.
42. Você tem algum ressentimento
com relação aos religiosos?
42. Certamente não;
tenho bastante tolerância e compreensão
da religiosidade das pessoas. Até porque cresci
numa família religiosa, e sei de todos os condicionamentos
que nos predispõem à crença.
Todavia, tenho certa reserva com relação
aos líderes religiosos, pois, tanto quanto
a busca pelo seu Deus, eles perseguem sobretudo o
poder e o dinheiro, apesar de gostarem de falar de
humildade.
(*) Além de O Garoto Que Queria Ser Deus (2010),
Assis Utsch publicou Memória de Uma Agenda
(2008), As Raízes de Deus (2008), O Pastor
Rebelde (2006), O Brasil e os Brasileiros (2003),
Dom Juan Por Acaso / Ela Chegou Pelo Jornal (1996),
dentre outros textos.
(**) Gudrun Pfeiffer – professora de línguas
germânicas (UFPR).
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Assis,
Não quero com meu reconhecimento da grande alma que você me parece ser, na coerência demonstrada nos tópicos comentados acima, transformá-lo num deus, mas, cuidado; a absorvente clareza de sua bela demonstração pode conduzi-lo a isso. Ainda bem que a turma de acesso é esclarecida o suficiente para serem admiradores, como eu mesmo, sem o risco de se tornarem discípulos.
Parabéns
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por: |
erlei de souza gui |
28 de Julho de 2010 às 12:54:06 PM |
Resposta 31 – Leitura literal – Se a leitura literal dos livros vale quando se fala a favor de Deus ou das religiões, por que essa mesma leitura não valeria quando se fala criticamente?
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por: |
Liuta |
29 de Julho de 2010 às 2:33:46 PM |
Resposta 34 – Ética – Deveria ter sido mencionado que se alguém é bom ou deixa de fazer o mal só porque vai receber uma recompensa de um Deus, essa ‘ética’ não é autêntica.
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Comentado
por: |
Liuta |
29 de Julho de 2010 às 2:36:38 PM |
Resposta 41 – Livre arbítrio – Se Deus não possui nem a mente nem os órgãos dos sentidos, como poderia Ele ter os mesmos sentimentos que experimentamos?. Na verdade, fomos nós que criamos um Deus à imagem do homem. Uma imagem exacerbada, é claro, com uma bondade infinita, uma sabedoria infinita, um poder infinito, etc.
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por: |
Liuta |
29 de Julho de 2010 às 2:38:53 PM |
Resposta 7 – Big Bang – Os cientistas e os meios de comunicação parecem ter preferido manter uma áurea de mistério e milagre sobre esse Big Bang, pois o fenômeno parece tão miraculoso quanto o Gênese. Não é à-toa que a repórter Sônia Bridi da TV Globo, quando fala do assunto diz que os cientistas estão procurando a Partícula de Deus – o boson de Higgs. O conceito de Big Bang aliás tem como precursor justamente um teólogo-matemático, George Lemaître.
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Liuta |
29 de Julho de 2010 às 2:40:48 PM |
Respostas 5-8 – Universo Eterno versus Deus Eterno. O natural é que existisse apenas o Nada, um Vazio Absoluto. Mas já que existe a matéria e a energia, intercambiáveis entre si, o mais lógico é que o Universo seja eterno, alheio a qualquer Criador. Por outro lado, onde um Deus imaterial poderia ‘buscar’ a matéria para criar o Universo?
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Liuta |
31 de Julho de 2010 às 11:08:54 AM |
Por que um Deus com todos os seus Poderes e Atributos Absolutos precisaria de nossa adoração, nosso sacrifício, preces, conclamações, celebrações, para nos proteger, se a bondade já é de sua própria natureza? Não me venham com imposturas !
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Liuta |
31 de Julho de 2010 às 9:31:42 PM |
Resposta 15 - Sentido da vida - Se compreendêssemos que a vida é terrena e única, nós certamente nos dedicaríamos mais a aprimorar a convivência humana. E não nos entregaríamos a uma esperança e a uma busca inúteis por um além inexistente e que só nos aliena da realidade.
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Liuta |
2 de de 2010 às 10:40:07 AM |
Resposta 26 - hipótese da alma ou espírito - Sabe-se que esses dois conceitos têm origem na ocorrência do sonho. O homem, então desconhecedor do fenômeno onírico, imaginava que o sonho era uma entidade que saía e voltava ao corpo. A sensação daqueles homens foi chamada de animismo - de alma ou espírito - e nada mais é que a confusão então criada, de achar que o sonho era uma entidade independente do corpo, mas que na verdade se trata apenas do sonho nosso de cada noite. Lamentavelmente, não temos uma alma ou espírito para nos perpetuar depois da morte.
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Comentado
por: |
liuta |
4 de Agosto de 2010 às 6:00:09 PM |
Parabéns, Assis!
Mais uma iniciativa muito louvável de divulgação de ideias ateístas.
O diálogo com Gudrum Pfeiffer parece ter um resumo bom, fornece ao leitor interessado um guia rápido de boas respostas. Vou ler atentamente depois, daí comento.
Os seus comentários sobre livros podem ser um guia muito útil para quem começar a lê-los. Eu mesmo NÃO li a maioria e vou recorrer às suas resenhas quando for adquiri-los.
Agora umas palavras sobre a parte operacional do site. [ ... Editado ... Anotada a sugestão oferecida ]
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Geraldo |
4 de Agosto de 2010 às 11:25:12 PM |
Parabéns pelo blog e, principalmente, pela iniciativa.
Já li 3 livros seus, e sinto-me honrado de saber que existe mais um curibano cético.
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Junior |
6 de Agosto de 2010 às 2:01:08 PM |
o big bang e uma hipotese cientifica formulada no século xx que substitui o modelo anterior do universo eterno,essa mudança de modelo e devido a duas descobertas da física contemporanea:a expansão do universo e a radiação cosmica de fundo que se encontra presente em todo o universo e pode ser medido.Se o modelo vai ser refutado ou reforçado isso irá depender das novas descobertas.Essa e a diferença entre ciência e dogma: enquanto a ciência corrige sua forma de ver as coisas e com isso se aperfeiçoa e progride os dogmas permanecem eternos e imutaveis com o tempo. [... Editado ... : Alan, sobre esse assunto, pode ser interessante a leitura de "Do Big Bang ao Universo Eterno" - Mário Novello, 2010, 134 p, Jorge Zahar - R$22,00. Existem outros livros e textos sobre o assunto. A ideia do Universo Eterno é mais dominante entre cientistas franceses, ao contrário dos americanos, onde o Big Bang tornou-se quase um dogma].
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alan |
15 de Agosto de 2010 às 12:54:53 AM |
Uma das razões para a concepção de Deus vem da recusa das pessoas em aceitar que elas sejam resultado de causas aleatórias. Então elas sentem necessidade de um Deus Providencial, Eterno e Criador de Tudo.
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Liuta |
15 de Agosto de 2010 às 3:21:58 PM |
Sou agnostico,e gostaria de fazer a seguinte pergunta para os ateus:se caso se venha á descobrir no futuro evidencias da existencia de um ou mais deuses vocês estão dispostos a analisar e até mudar sua forma de pensar caso as evidencias sejam fortes?parabéns pelo blog e pela possibilidade do diálogo. [...Editado. Alan, essa expectativa parece desnecessária, pois os Deuses já foram inventados. E nosso apelo a uma Transcendência é o reflexo de nosso desejo por uma Perpetuidade ].
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alan |
19 de Agosto de 2010 às 12:30:05 AM |
O ateismo atual não esta ficando tão extremista e radical quanto as religiões fundamentalistas?o que levou os átomos a se combinar e formar a natureza a nossa volta é também originar seres conscientes como nós que possui um senso de juízo?mera evolução natural?criação divina?´´existe muito mais coisas entre o céu e a terra do que nossa pequena filosofia possa imaginar``. [...Editado. Ateísmo extremista ?? Ateu não tortura ninguém, não lança à fogueira, não esfola ninguém em nome do ateísmo. Não faz atentados terroristas, não derruba prédios em nome de sua posição filosófica ]
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alan |
19 de Agosto de 2010 às 2:25:54 AM |
Muito coerente !
A sua critica é direcionada principalmente, as religiões convencionais e a avareza de seus lideres.
Até certo ponto concordo,mas o sentimento cósmico é universal,e Einstein admitiu isso,existe algo magico em acreditar em Deus(ser supremo,artífice do universo,etc.).
[...Editado. Einstein não tinha religião, mas tinha um sentimento de religiosidade pelo Universo. Bertrand Russell chegou a dizer que ‘Einstein parecia não conseguir desvencilhar-se do Deus recebido no colo da mãe’ ].
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free thinker |
19 de Agosto de 2010 às 10:46:21 AM |
uma pequena observação,apesar de ser em menor proporção que o extremismo religioso,o ateismo radical de stalin,mao tse e outros lideres ateistas extremistas foi tão cruel e barbaro no seu combate a religião quanto as religiões fundamentalistas que buscaram impor suas crenças e para isso se utilizaram da violência.A história ensina que as grandes barbaridades cometidas sempre foi devido a algum extremismo.Cada lado defender seu ponto de vista penso que e justo,mas considerando que o que sabemos sobre o universo e a vida e uma gota e o que ignoramos e um oceano, me parece sensato considerar que sempre podemos estar errados na nossa forma de ver as coisas.
[...Editado. Se Stalin, Hitler e Mao Tse Tung eram efetivamente ateus - porque há controvérsias - eles não praticaram suas crueldades em nome do ateísmo. Eles o fizeram em nome do comunismo e do nazismo. Os soldados de Hitler tinham nas fivelas de suas cintas a inscrição Gott Mit Uns (Deus Conosco). Houve e há muitos comunistas religiosos, inclusive no Brasil ].
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alan |
20 de Agosto de 2010 às 12:31:40 AM |
A certeza que o ateu possui de que deus e invenção da mente humana não e tão dogmático quanto a certeza que um religioso tem de que deus existe?o que levou átomos e moléculas a se formar e originar a complexa natureza a nossa volta?como se originou seres como nós que possui consciencia e tem um senso de juízo?de onde veio as leis naturais que são leis bem definidas ao inves de serem arbitrarias?o que e vida?qual a finalidade da vida humana aqui?por que o universo e assim e não de outra forma?tudo é obra do acaso ou determinismo de algo que não compreendemos racionalmente?como se pode notar são as perguntas que nos move e não a certeza de ter chegado a uma verdade absoluta. [...Editado: A compreensão de que Deus é uma invenção humana decorre da compreensão da própria natureza humana, com seus medos, sua inconformidade com a finitude da vida, suas angústias, suas compulsões, seu autoengano, etc. Só existimos porque o arranjo cosmológico aleatoriamente estabelecido permitiu que moléculas pré-biológicas se tornassem biológicas ].
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alan |
20 de Agosto de 2010 às 10:51:02 AM |
Deus é antropomorfo; logo, é criação humana. “O que é esse Deus em que a maioria crê? uma ficção, uma criação dos homens, uma fabricação que obedece a leis particulares, ... os homens criam Deus à imagem deles invertida. ... inventam uma potência dotada exatamente das qualidades opostas: ... Eu sou mortal, Deus é imortal; sou finito? Deus é infinito; eu sou limitado? Deus é ilimitado; não sei tudo? Deus é onisciente; não posso tudo? Deus é onipotente; não sou dotado do talento da ubiqüidade? Deus é onipresente; sou criado? Deus é incriado; sou fraco? Deus encarna a Onipotência; estou na terra? Deus está no céu; sou imperfeito? Deus é perfeito; não sou nada? Deus é tudo, etc”. Ludwig Feuerbach
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Liuta |
20 de Agosto de 2010 às 7:35:07 PM |
Gostaria que examinassemos a possibilidade da existencia de um Deus presente nas leis da natureza.A natureza pode se construir sozinha sem possuir algo mais profundo em seu interior?Como sabemos pela física, se uma das seis constante do universo tivesse um valor diferente não estariamos aqui para pensar nossa existência,mas por que a evolução natural seguiu esse caminho e não outro?como se explica que um processo ocorrido aleatoriamente ao acaso tenha originado seres como nós que possui um senso de juízo sobre o que e certo ou errado?o universo por ser um imenso organismo vivo, do qual fazemos parte, não expressa no seu interior algo mais profundo?são as perguntas que realmente nós move. [...Editado...: As pessoas preferem o determinismo à aleatoriedade. É justamente por isso que elas evocam um Deus para explicar tudo ].
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alan |
22 de Agosto de 2010 às 12:26:56 AM |
Assis:
Vim aqui para retribuir a sua participação em nossa rede "Irreligiosos" (http://irreligiosos.ning.com) e, ao mesmo tempo, deixar meu comentário sobre esta sua interessantíssima matéria.
Como você também a colocou no "Irreligiosos",vou respondê-la oportunamente por lá. Mas, de antemão, posso adiantar-lhe que a maioria das minhas respostas (talvez uns 90%) seria muito semelhantes às suas.
Por exemplo, pude observar que as razões que levam uma pessoa a se tornar ateu são quase sempre as mesmas: questionamentos não respondidos; espírito investigativo; busca da verdade e da coerência; estudo crítico dos livros religiosos; dissecação da Bíblia; estudo do sincretismo religioso. Parei!
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Ivo S. G. Reis |
24 de Agosto de 2010 às 8:01:58 PM |
Resposta 38 - provas de Deus. A físico-teológica: “O mundo seria ... belo demais, harmonioso demais para que possa ser obra do acaso; ... suporia uma inteligência criadora e ordenadora que só pode ser Deus”. Gostaria de acrescentar ainda: Além dos "tumores e dos cataclismos" referidos na resposta, poderiam ter sido citadas, conforme Comte-Sponvile, "as desordens, os horrores e as disfunções do mundo", o que contraria a alegação de que o mundo decorre de uma Inteligência e de uma Benevolência.
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Liuta |
25 de Agosto de 2010 às 12:26:18 PM |
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danilo pinheiro |
25 de Agosto de 2010 às 3:58:48 PM |
Vou fazer uma analogia entre peças de lego e a formação do universo:para se construir algo complexo com o brinquedo se utiliza a inteligência ou se coloca as peças soltas dentro da caixa e as agita esperando formar algo apenas as agitando bastante, o que implica que até mesmo nesse caso exista uma força agindo nos objetos?como se explica que o universo não possua uma inteligência intrinseca, quando se estuda o corpo humano e se verifica o trabalho em conjunto dos orgãos e se observa os complicados anéis formados ao redor do planeta saturno?desafio com essas perguntas porque um deus assim não um deus que pune ou recompensa, ou precise de adoração mas algo presente na natureza. [...Editado...: órgãos e funcionamento dos organismos - são fruto da evolução, que por sua vez está provada, dentre outras causas, pela mutação do DNA. Quanto a um Deus para fazer os anéis de Saturno e todo o Universo, trata-se de uma questão de fé. Nós encontramos as causas na própria aleatoriedade cosmológica ].
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alan |
25 de Agosto de 2010 às 11:53:48 PM |
No livro Variedades da experiêcia cientifica,Carl Sagan menciona:"o fato de sabermos pouco sobre a natureza e o univeso sugere que sobre Deus sabemos menos".Sou agnostico e não estou totalmente convencido sobre a existência ou não de Deus,não suponho que possa existir um Deus com caracteristicas humanas ou animais como e tão pregado, mas sim a existência de algo que esteja além da compreensão humana,até porque a razão possui seus limites.Existe argumentos contra e a favor da existência de Deus, mas escolher entre um lado ou outro depende de que referencial se observa a questão. [...Editado... Como diz Comte-Sponville em O Espírito do Ateísmo, “O universo é um mistério suficiente. Para que inventar outro [o Deus]?” “Se o absoluto é inconhecível, o que nos permite pensar que ele é Deus?”. (p.101) “Se não se pode dizer nada de Deus, não se pode tampouco dizer que ele existe, nem que ele é Deus”. (p.104) ].
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alan |
26 de Agosto de 2010 às 12:27:27 AM |
Resposta 12 - Os livros santos têm certamente um caráter mitológico, e só muito raramente seus textos podem corresponder a fatos reais. Entretanto eles refletem as mentalidades e as culturas ocorrentes nos séculos e milênios em que foram recontados, recriados, expurgados, acrescentados, reinterpretados. Pode-se também fazer muitas leituras dos livros santos: sociológica, quando se identificam seus valores fundamentais; econômica, quando se percebe sua forma hostil ou ressentida de contemplar a riqueza; política, quando os Deuses ou seus Mandatários lutam pelo poder; literária, quando analisamos sua estilística construída ao longo de séculos de recriações; etc.
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Liuta |
13 de de 2010 às 7:33:27 PM |
Pergunta 10 - prova da existência/inexistência de Deus. Se Deus, os deuses e todas as divindades são da mesma natureza, e se estes últimos já foram descartados, então Deus só se mantém pela própria inércia do pensamento. E a ciência só não prova a inexistência de Deus porque o Método Científico é incapaz de levar para o laboratório algo que não existe. Entretanto a ciência da cultura ou a antropologia podem provar que Deus é uma invenção cultural.
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Liuta |
15 de de 2010 às 12:30:01 PM |
"Os homens nunca fazem o mal tão plenamente e com tanto entusiasmo como quando o fazem por convicção religiosa". Blaise Pascal (Citado em Deus, Um Delírio, p.322 - Richard Dawkins). Mas Deus é um ser antropomorfo; todos os seus atributos são definições humanas; logo, ele só existe por nossa própria obra.
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Assis Utsch |
26 de de 2011 às 4:28:14 PM |
Se o Universo é Eterno não precisamos de um Criador !
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Liuta |
26 de de 2011 às 9:14:43 PM |
Para um ateu não existe o Transcendente, trata-se apenas de uma concepção humana, ou seja, é uma entidade que nós próprios criamos. Consequentemente não existe um Protetor nem um Castigador; da mesma forma que alma ou espírito são concepções nossas, não são seres reais, mas apenas imaginários. Tal compreensão do ateu o liberta de todos os temores que não sejam de nosso próprio mundo. E isto nos dá uma tranquilidade que nenhum crente consegue ter.
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Assis Utsch |
1 de de 2011 às 3:33:13 PM |
Resposta 38 - mundo harmonioso - Como harmonioso, se o mundo está repleto de injustiças, violência, desigualdade, sofrimento, terrores ? Dizer que Deus tem suas próprias leis e razões é apenas uma forma de escamotear os terríveis erros do Deus inventado pelo homem.
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Liuta |
21 de Fevereiro de 2011 às 3:21:36 PM |
Este site é dos melhores que já vi sobre a matéria. Nada a por ou a tirar. Está perfeito e acabado. Parabéns, autor do site! Sugiro apenas que recomende aos seus leitores a visita ao importante site http://ateismo.com.br/
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carlos atmacedo |
24 de Fevereiro de 2011 às 10:15:42 PM |
Assis Utsch, como um mundo harmonioso, se foi legado ao ser humano injustiças, violências, desigualdade, sofrimento, terores, só e unicamente para que esse ser se tornasse condicionado ao "esquema" de uma única religião ou crença, e uma única ordem mundial ...
[Editado - Marilda, A alegada "harmonia do mundo" é parte de uma das supostas provas de Deus, a físico-teológica, provas todas refutadas.
Excluído o restante do comentário por envolver questões e opiniões que extrapolam o foco da Página, que é o embate entre religiosos e ateus. Ademais, as questões referidas, por serem controversas, podem nos dividir, ao invés de nos aglutinar ].
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Marilda Oliveira |
27 de Fevereiro de 2011 às 3:37:56 AM |
Como diz Comte-Sponville em seu O Espírito do Ateísmo, "mesmo que um argumento provasse ... a existência de um ser absoluto infinito, [ele seria] impessoal, sem vontade, sem finalildade, sem providência, sem amor..." (p.80)
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Liuta |
21 de Julho de 2011 às 11:36:57 |
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